
Neste ano de 2026, comemoram-se os 400 anos das Missões Jesuítico-Guaranis, um marco essencial para compreender a formação histórica, cultural e territorial do sul do Brasil e da América Latina. Mais do que um empreendimento religioso, as reduções jesuíticas representaram uma experiência complexa de convivência intercultural entre jesuítas e povos guaranis.
Para abordar esse tema, a Rádio Vaticano/Vatican News entrevistou a professora Claudete Boff, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Regional Integrada (URI), campus Santo Ângelo. Autora do livro Imaginária Guarani, o acervo do Museu das Missões, a professora ressaltou o protagonismo dos povos guaranis na construção dos povoados, na produção artística, na cartografia e na administração política das missões.
"A historiografia contemporânea tem revisitado as Missões a partir dessa perspectiva, reconhecendo-as como espaços de intercâmbio cultural, resistência indígena e disputas de poder."
A docente também destacou que o legado missioneiro permanece vivo na identidade regional, no cooperativismo, na religiosidade popular e em práticas cotidianas, como o uso da erva-mate. Segundo ela, as comemorações dos 400 anos convidam a refletir sobre diversidade cultural, direitos indígenas e interculturalidade.
A professora Claudete Boff também falou sobre a contribuição da URI para a preservação e valorização desse patrimônio. A universidade mantém uma Biblioteca Setorial especializada nas Missões Jesuíticas Guaranis e, desde 1984, abriga o Centro de Cultura Missioneira, que conta com Núcleo de Arqueologia, Sala de Exposições Temporária e Auditório.
Entre as ações realizadas pela instituição, destacam-se as escavações arqueológicas de 2006, realizadas em parceria com a Prefeitura Municipal no entorno da Praça Pinheiro Machado e da Catedral, além de publicações e seminários produzidos pelo Centro de Cultura Missioneira ao longo das últimas décadas.
O curso de História da URI também se consolidou como importante formador de pesquisadores e professores que hoje lideram estudos em Patrimônio e Antropologia na região.
Com essas iniciativas, a URI reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento e a valorização da história missioneira, contribuindo para que esse legado permaneça vivo e acessível às novas gerações.