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Política

Pesquisa aponta que 81,5% dos gaúchos não acompanharam debates para o governo do RS

Pesquisa aponta que 81,5% dos gaúchos não acompanharam debates para o governo do RS
14/10/2026 às 18:10

Propostas, discussões e troca de ideias. Os debates, tradicionalmente, são ferramentas essenciais para o processo democrático. Nas eleições de 2026, contudo, o cenário foi diferente do usual: cadeiras vazias, encontros cancelados e cortes descontextualizados nas redes sociais.

Seguindo a tendência nacional, a ausência de candidatos nos palcos foi uma realidade no Rio Grande do Sul. E, ao que tudo indica, encaixou de maneira estratégica na campanha de Luciano Zucco (PL), que saiu vitorioso da corrida pelo Palácio Piratini. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO), contratado pelo governador eleito durante o período eleitoral, 81,5% dos gaúchos não acompanharam debates para o governo do Estado.

As informações foram divulgadas, na tarde desta quarta-feira (14), pela diretora do IPO, Elis Radmann, em painel na Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul)

Segundo a pesquisa, apenas 18,5% dos eleitores acompanharam as discussões entre postulantes ao cargo, sendo que 7,8% acompanharam pela televisão, 7,8% pelo YouTube, e 2,9% pelo rádio.

Em paralelo, os dados sugerem que 54,7% dos gaúchos consideram os debates como palco para ataques pessoais, o que, na percepção de Elis, demonstra uma frustração do eleitorado com a maneira como os debates vêm sendo realizados.

A diretora do IPO defende que, embora goste de debates, o eleitorado já não tem mais interesse em assisti-los. “Os debates viraram palco de ataques. Os debates viraram recortes de reels. E por conta desses recortes de reels, por conta desses ataques, o eleitor disse que o debate perdeu a sua essência. Não é algo que fale com o eleitor.”

Durante o período de campanha, Zucco e a candidata à esquerda, Juliana Brizola (PDT), não participaram de uma série de debates e painéis. Ao contrário de Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB), os dois melhores colocados nas pesquisas foram bastante seletivos na escolha das agendas com adversários, comparecendo apenas em encontros pontuais.

O sócio-fundador da agência Critério - Resultado em Opinião Pública, Cleber Benvegnú, que foi responsável pelo marketing na campanha de Zucco, pondera, contudo, que o candidato eleito não foi ausente nas discussões.

“O Zucco participou de mais de dez debates. Nós chegamos a ter mais de 40 convites para debates. Mas, se fez uma escolha sim”, afirma. “A interação, por exemplo, com uma entidade, quando ela tem uma hora e meia ou duas horas, para trocar informações com os candidatos é muito mais rica do que esse modelo de debate em segundos, que eu acho que precisa ser repensado.”

Benvegnú avalia que o candidato vitorioso esteve presente nos principais debates, com bom desempenho. Ao mesmo tempo, o estrategista aponta que a campanha privilegiou a mobilização nas ruas em diferentes pontos do Estado. “Se a gente fosse aceitar todos os convites, o Zucco não sairia de Porto Alegre.”

Nos debates em que participaram, Zucco e Juliana mantiveram o hábito de escolher um ao outro nos blocos de perguntas e respostas. Com isso, o atual vice-governador do Estado, Gabriel, perdeu espaço nas discussões.

De acordo com Benvegnú, a escolha foi pensada conforme as estratégias de campanha. “Foi também uma demonstração de respeito à candidatura do Gabriel e do governo, que tinha, em tese, no começo, um potencial de crescimento.”

“De fato, a gente escolhia mais a Juliana Brizola, que era a adversária de um projeto mais antagônico, também para que a terceira candidatura não tomasse força”, finalizou.

Os dois articuladores da campanha de Luciano Zucco participaram, nesta quarta-feira, do painel “Tá na Mesa: Análise e Perspectivas das Eleições 2026”, realizado pela Federasul.

 

cp

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