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Política

Eleições 2026: Definição no RS se encaminha para o segundo turno

Eleições 2026: Definição no RS se encaminha para o segundo turno
03/10/2026 às 21:10

No Rio Grande do Sul, que neste ano tem sete postulantes ao Palácio Piratini, a definição do próximo governador caminha para o segundo turno. Estão na disputa, nesta primeira etapa, Cesar Pontes (PCO), Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL), Marcelo Maranata (PSDB), Priscila Voigt (UP) e Rejane de Oliveira (PSTU).

Entre todos, a ex-deputada estadual Juliana Brizola e o deputado federal Luciano Zucco apresentam, desde o início da corrida, em diferentes sondagens eleitorais, uma distância confortável dos demais. O vice-governador Gabriel Souza é o único que, além de ambos, também ostenta dois dígitos em parte dos levantamentos.

Esta configuração, associada à quantidade expressiva de eleitores que seguem se dizendo indecisos nas pesquisas estimuladas, e mais ainda nas espontâneas (quando não são apresentados os nomes dos concorrentes), faz com que lideranças do MDB sigam projetando a possibilidade de uma virada, apesar de os adversários a terem como improvável.

Em função do entendimento de que estão com posições consolidadas, os comandos das coligações de Juliana e Zucco, além da dedicação a ações para tentar expandir suas vantagens, seja nas redes ou no tradicional corpo a corpo, já começaram a projetar seus desafios para o segundo turno. A ideia, entre todos, contudo, foi reforçar, na reta final, as linhas que nortearam suas campanhas até este domingo, sem mudanças bruscas de estratégia.

Juliana, que se coloca como de centro-esquerda, adotou como balizadoras as palavras diálogo e confiança, para traduzir sua capacidade de negociar com diferentes forças e ideologias. Investiu em sua condição de mulher na política, e na palavra cuidado, para buscar o voto feminino e suas demandas reais, como o combate à violência de gênero e a educação dos filhos. E apostou no imaginário de força e coragem dos gaúchos, principalmente por meio da vinculação com o trabalhismo e o legado de seu avô, o ex-governador Leonel Brizola. Além do PDT, sua coalizão é formada pelas federações PT/PCdoB/PV e PSol/Rede, pelo PSB e pelo Avante.

Zucco, à frente de uma coligação que tem também PP, Republicanos, Novo, Podemos, DC e Democrata, deixou claro desde sempre sua posição como candidato representante da direita. Sua campanha usou dois conceitos como motes principais: a palavra mudança e a ideia de melhora nas condições gerais do RS, da autoestima dos gaúchos aos indicadores comparativos com os estados vizinhos da região Sul. Ele também investiu no ideário do gaúcho aguerrido, nos valores familiares e na postura de simplicidade, conseguindo desvincular em grande medida sua imagem da radicalização associada ao bolsonarismo e aos setores da extrema direita.

Para tentar furar o bloqueio do voto cristalizado entre direita e esquerda, Gabriel apontou as vinculações nacionais dos dois maiores adversários, tornando-se o mais crítico dos competidores. Investiu na imagem de liderança do centro político mais preparada para o cargo. E usou a estratégia tradicional de quem é governo, defendendo a administração ao mesmo tempo em que prometeu avanços. Na reta final, contou com o incremento das aparições de Eduardo Leite (PSD), aplacando em parte os questionamentos internos sobre o real empenho do governador em fazer o sucessor. Na chapa do MDB estão, além do PSD, a federação Solidariedade/PRD e o Agir.

Entre os concorrentes de partidos com representação na Câmara dos Deputados, alcançou visibilidade também o ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata (PSDB). Apesar do tempo exíguo na propaganda no rádio e na TV e dos recursos escassos, a condição da sigla garantiu sua participação em eventos e debates. Que ele aproveitou com uma campanha que teve como foco a defesa do empreendedorismo, dos valores conservadores e da importância do municipalismo.

Já as candidatas do PSTU e UP e o candidato do PCO, por integrarem siglas que não atingem as metas previstas na legislação, e o espaço que elas assegurariam, mais uma vez se dedicaram a campanhas calcadas em agendas de rua e nas redes sociais.

Ao fim desta etapa, contudo, seja nas equipes dos candidatos que pontuam bem nas sondagens ou entre os de siglas sem mandatos no Estado, o entendimento foi de uma corrida considerada ‘morna’ até aqui. Além de solapado pela sucessão de escândalos e troca de acusações da contenda nacional, e pela virulência que tomou conta da disputada corrida pelo Senado no Estado, o primeiro tempo da competição pelo Piratini teve certa dissonância entre o apresentado pelos postulantes e as expectativas do eleitor. Os primeiros dedicaram boa parte do tempo a debates sobre a dívida do Estado, a prorrogação de financiamentos que dependem do governo federal, e variações da defesa de modelos de negócios entre poder público e entes privados. Os temas, apesar de determinantes, despertam pouca atenção do conjunto do eleitorado. Este deixou registradas em diferentes pesquisas outras prioridades neste 2026: principalmente, as demandas na área da saúde e o medo de novas tragédias climáticas.

 

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