
A disputa pelo governo do Rio Grande do Sul já mobiliza milhões de reais em recursos partidários, por isso, faltando exatamente um mês para a votação do primeiro turno, os repasses feitos pelas direções nacionais de PDT, PL, MDB e PSDB aos candidatos ao governo do Estado.
O levantamento considera os recursos destinados pelas legendas às candidaturas aos governos estaduais e permite observar quanto cada partido direcionou à disputa gaúcha em comparação com os demais Estados.
Quanto os partidos estão apostando nos candidatos ao governo do RS?
Os quatro principais candidatos ao governo do Rio Grande do Sul receberam, juntos, R$ 18 milhões das direções nacionais de seus partidos. Juliana Brizola (PDT) concentra a maior parte desse valor, com R$ 10 milhões, ou seja, mais da metade do total. Luciano Zucco (PL) recebeu R$ 5 milhões, enquanto Gabriel Souza (MDB) teve R$ 2 milhões e Marcelo Maranata (PSDB), R$ 1 milhão.
Os valores assumem outro relevo quando comparados com os repasses feitos pelos mesmos partidos a candidatos de outros estados. Brizola é a segunda candidata que mais recebeu recursos do PDT nacional entre as candidaturas aos governos estaduais. Zucco ocupa a sexta posição no ranking do PL, enquanto Gabriel Souza e Marcelo Maranata aparecem, ambos, na quarta colocação entre os candidatos de MDB e PSDB, respectivamente.
Embora Juliana Brizola seja, entre os gaúchos, a candidata que recebeu o maior repasse nacional de seu partido, a ordem muda quando a comparação é feita dentro de cada legenda. A análise considera exclusivamente os recursos destinados pelas direções nacionais dos partidos às candidaturas aos governos estaduais.
Entre seus três candidatos para governos estaduais, a candidata gaúcha se posiciona em segundo lugar, atrás de Alexandre Kalil, que concorre para o governo de Minas Gerais. A campanha de Brizola conta com o repasse de seu partido e mais 7,5 mil por doação de pessoa física, correspondendo a 0,07% de seus recursos. Os demais partidos da coligação não enviaram recursos à candidata.
O PDT destinou R$ 30 milhões, no total, às candidaturas ao governo estadual analisadas. A maior parcela foi para Kalil, que recebeu R$ 12 milhões do partido. Em seguida aparece Juliana, com R$ 10 milhões. Requião Filho, candidato do partido no Paraná, recebeu R$ 6 milhões.
Dos R$ 78,2 milhões destinados pelo PL às 13 candidaturas ao governo dos Estados, R$ 5 milhões foram para Zucco. O valor coloca o candidato gaúcho na sexta posição entre os beneficiários da legenda.
À frente dele estão Douglas Ruas, candidato no Rio de Janeiro, com R$ 17,8 milhões; Wilder Morais, de Goiás, com R$ 11 milhões; Sergio Moro, do Paraná, com R$ 10,8 milhões; Efraim Filho, da Paraíba, com R$ 6,8 milhões; e Jorginho Mello, de Santa Catarina, com R$ 5,7 milhões. Juntos, esses cinco candidatos receberam R$ 52,1 milhões, aproximadamente dois terços de todo o valor distribuído pelo PL.
Os R$ 5 milhões destinados a Zucco correspondem a cerca de 6% dos recursos do partido para as 13 candidaturas. O valor também fica distante do principal investimento da legenda: Douglas Ruas recebeu R$ 12,8 milhões a mais que o candidato do RS.
A arrecadação total de Zucco, porém, é maior, a prestação de contas do candidato registra R$ 11,57 milhões em receitas. Desse montante, R$ 9 milhões vieram de partidos políticos e R$ 2,57 milhões de pessoas físicas. Além dos R$ 5 milhões do PL, a candidatura recebeu R$ 2 milhões do Progressistas e outros R$ 2 milhões do Podemos.
Na prática, o repasse do PL corresponde a menos da metade de todo o dinheiro arrecadado por Zucco. Os demais recursos foram suficientes para elevar a arrecadação da campanha a atingir o teto de gastos estabelecido para a disputa pelo governo do Estado, de R$ 11,562 milhões.
Marcelo Maranata recebeu R$ 1 milhão da direção nacional do PSDB para a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. No total, sua campanha tem um valor de R$ 1,1 milhão, onde 1,36% correspondem a repasse de pessoa física. O valor coloca o candidato gaúcho na quarta posição entre os nove nomes que disputam governos estaduais pelo seu partido.
O PSDB destinou R$ 15,3 milhões às candidaturas. O maior repasse foi para Marconi Perillo, em Goiás, com R$ 5 milhões. Na sequência aparecem Vicentinho Júnior, no Tocantins, com R$ 4,2 milhões, e Ciro Gomes, no Ceará, com R$ 4 milhões.
Os quatro maiores beneficiários concentram mais de 90% de todo o dinheiro distribuído pelo PSDB nesse recorte. Maranata, sozinho, recebeu cerca de 7% dos recursos destinados pela direção nacional da legenda às candidaturas aos governos estaduais.
O valor também mostra a distância entre os maiores repasses do partido. Maranata recebeu pouco mais de um quinto do valor destinado a Perillo, que lidera a distribuição, e cerca de um quarto do que foi enviado a Vicentinho Júnior e Ciro Gomes.
O MDB destinou R$ 15 milhões, no total, às candidaturas ao governo dos estados. Gabriel Souza recebeu R$ 2 milhões da direção nacional e aparece em quarto lugar entre os candidatos da legenda que receberam recursos partidários. No total, a campanha de Gabriel Souza declarou R$ 2,515 milhões em receitas: além dos R$ 2 milhões do MDB nacional, a campanha recebeu R$ 300 mil da direção nacional do PSD, R$ 150 mil do diretório estadual do PSD no Rio Grande do Sul e R$ 50 mil do diretório estadual do MDB. Também foram declarados R$ 15 mil em doações de pessoas físicas. Com isso, os recursos partidários representam cerca de 99,4% da arrecadação declarada pela campanha, enquanto as doações de pessoas físicas correspondem a aproximadamente 0,6%.
O maior repasse do MDB foi para Cícero Lucena, candidato na Paraíba, com R$ 5 milhões. Na sequência aparecem Ricardo Ferraço, do Espírito Santo, com R$ 4 milhões, e Renan Filho, de Alagoas, com R$ 3 milhões. Gabriel Souza recebeu R$ 2 milhões. Pedro Abib, de Rondônia, recebeu R$ 1 milhão.
Outros candidatos do partido não receberam recursos da direção nacional, embora haja registros de valores provenientes de diretórios estaduais. É o caso de Daniel Vilela, em Goiás, e Hana Ghassan, no Pará, que receberam R$ 20 mil e R$ 100 mil, respectivamente, de seus diretórios estaduais.
CP