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Política

Entenda a relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, segundo a PF

Entenda a relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, segundo a PF
01/09/2026 às 18:09

A relação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com o então presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao que parece, começou bem antes da Operação Compliance Zero, que prendeu o banqueiro em novembro de 2025. Segundo informações da CNN Brasil, a Polícia Federal identificou sinais de pelo menos seis reuniões entre o proprietário do banco e o ministro do STF no período de novembro de 2024 a agosto de 2025.

Os registros constam em um relatório da PF elaborado com base na extração de dados do celular de Vorcaro. O sigilo sobre o material foi derrubado nesta terça-feira por determinação do ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do Caso Master no STF.

Relação se estreitou em 2025

De acordo com a investigação da PF, no dia 19 de abril de 2025, o banqueiro citou em diálogos com sua namorada que iria se encontrar com Moraes. Em um dos trechos da conversa, o dono do Banco Master disse que chegou a fazer com ela uma chamada de vídeo exibindo a presença do ministro.

Posteriormente, em 29 de abril de 2025, o banqueiro realizou uma chamada de vídeo com a namorada. Após o encerramento do vídeo, ela lhe pergunta: “Quem era o primeiro cara?”. Vorcaro responde: “Alexandre Moraes”.

No final do ano passado, mensagens atribuídas a Vorcaro mostram que, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua prisão, ele teria perguntado a Moraes se precisava deixar o país. Também teria questionado sobre o juiz responsável pelo caso, Gabriel Galípolo e a possibilidade de alguma medida ocorrer na manhã seguinte.

Em um dia importante da operação, no dia 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes teriam conversado por WhatsApp ao longo do dia. Esta foi a data na qual foi cumprida a primeira ordem prisão contra o banqueiro. Prints encontrados na extração de dados do celular de Vorcaro faziam menção direta à negociação de venda do Banco Master. Tanto banqueiro quanto o magistrado escreviam textos em blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens com o recurso de visualização única, segundo a PF.

Contratos e regalias em troca

Em janeiro deste ano, a relação entre Vorcaro e a família de Moraes apresentou uma proximidade maior e que ambas as partes estavam recebendo supostas regalias em troca. Foram descobertos contratos milionários entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane de Moraes, com a instituição. Os valores fogem do preço praticado no mercado e apontam para possível compra de influência.

A partir de então, a atuação do escritório de advocacia do qual Viviane e os dois filhos são sócios passou a ser alvo de questionamentos após a revelação de um contrato de R$ 129 milhões firmado com o Banco de Vorcaro.

Na época, um levantamento do Estadão/Broadcast mostrou ainda que a atuação da advogada no STF e no STJ se intensificou após a posse de Alexandre de Moraes no Supremo, com o número de processos sob sua participação nessas cortes saltando de 27 para 152.

Mensagens e whisky em Londres

Em março de 2026, o assunto voltou e Moraes negou as conversas, de acordo com a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal (STF), as mensagens atribuídas a Moraes estavam relacionadas a outros contatos que constam na agenda de Vorcaro. O STF não informou quem realizou a análise.

No mesmo mês, a relação se mostrou mais informal e amigável. Foi então revelado que Vorcaro pagou degustação de whisky em Londres com Moraes, Gonet, Toffoli e diretor-geral da PF. A informação foi obtida a partir do cruzamento de dados do celular do empresário recuperados pela PF e de registros de sessão secreta do STF. Em 4 de março de 2026, Daniel Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

As novas informações

Recentemente, o relatório da Polícia Federal indicou que Alexandre de Moraes abriu e editou a versão final do contrato entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, aquele mesmo descoberto em janeiro. O contrato previa o pagamento de R$ 131,27 milhões em valores brutos. O próprio escritório confirmou que Moraes acessou e editou o documento.

Ainda, mensagens extraídas do celular de Vorcaro foram apresentadas como indício de que o Banco Master teria emitido cartões com limite de R$ 300 mil para os filhos de Moraes. A negociação teria envolvido o administrador do escritório da advogada e esposa de Moraes e o banco.

 

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