
Ao longo de seis meses, uma gaúcha pensou que realizava investimentos pela internet, com os quais teria alta lucratividade. Num grupo de WhatsApp, era orientada por um suposto professor, especialista na área. Neste período, repassou às plataformas indicadas por ele R$ 37 milhões.
Tudo fazia parte de um esquema controlado por um grupo criminoso internacional que aplica o chamado pig butchering, ou o golpe do abate de porcos. O caso aconteceu entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, quando começou a ser investigado pela Polícia Civil.
Nesta quinta-feira (13), o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Rio Grande do Sul realiza a Operação Criptoabate contra suspeitos de envolvimento nesta fraude.
São alvos donos de três instituições financeiras, além de outros investigados no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo. São cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão.
Em Gravataí, na Grande Porto Alegre, é cumprido um mandado de prisão contra o dono de uma empresa que atuaria como correspondente de instituições financeiras. A empresa, que não teve o nome divulgado, tem sede na Capital. O investigado possui antecedentes por estelionato, associação criminosa, receptação, uso de documento falso e furto qualificado.
— É um golpe que existe a nível mundial em vários países. Diferentemente do comum, esse golpe não ocorre num momento específico, mas, sim, a vítima é mantida em erro durante um relevante período de tempo e realiza diversas transferências, depósitos ali. Costuma ser um golpe, uma fraude, que tem um prejuízo econômico muito mais alto do que o normal — explica o delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos.
Neste caso, a vítima acreditava que estava repassando valores a uma corretora de investimentos e criptomoedas, chamada TDASX. Um homem, que se apresentava como "professor Miguel" era quem enviava as orientações pela internet. O grupo também era integrado por outras pessoas que se apresentavam como alunos ou clientes do professor e ali eles mostravam que a plataforma gerava rendimentos superiores ao mercado. Com isso, a vítima se encorajava a realizar os aportes.
— A plataforma que é fornecida por esse grupo aparenta que os valores supostamente investidos estariam rendendo valores muito superiores aos praticados no mercado. Então, como a vítima olha aqueles valores "crescendo" no aplicativo ou no site, encoraja-se cada vez mais a realizar sucessivos depósitos e, durante esse relevante período de tempo, totaliza R$ 37 milhões em transferências. E na verdade, desde a primeira, já se tratava da materialização do golpe do abate de porcos — diz Herédia.
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