
O 3º encontro do curso de formação para o enfrentamento da violência contra as mulheres — que carrega o lema apregoado por Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica e familiar: "A vida começa quando a violência acaba" — foi realizado no dia 1º de agosto no auditório da Promotoria de Justiça de Santo Ângelo.
A atividade é promovida pela 3ª Promotoria de Justiça Criminal da Comarca de Santo Ângelo — Promotoria Regional de Atendimento às Vítimas de Crimes de Santo Ângelo, pela Universidade Regional Integrada (URI), campus Santo Ângelo, e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM).
Com o tema "Recorte de raça, sexo, gênero e renda no cenário da violência", o encontro teve como objetivo refletir acerca das diferentes identidades das mulheres, a fim de se perceber que algumas são mais afetadas que outras nos processos de violências.
A reflexão proposta remete ao cuidado e à responsabilidade das instituições e dos espaços que vivenciam e acolhem essas mulheres, convocando-os a olharem para as diferenças que constituem cada mulher vítima de violência. O encontro foi estruturado em dois momentos de exposição e debate.
Inicialmente, Juliana da Rosa — pedagoga, professora de ensino infantil, presidenta da Etnia Afrobrasileira e representante do Movimento Negro de Santo Ângelo — discorreu sobre a questão do povo negro e, em especial, das mulheres negras. Sua fala provocou reflexões que envolveram as participantes no debate sobre "o lugar" das mulheres negras na sociedade e sobre como o recorte racial intensifica as violências: o fato de serem negras as coloca em situação redobrada de vulnerabilidade, em comparação às mulheres brancas.
Num segundo momento, a Dra. Pâmela Ângela Magalhães Martins — Doutora e Mestre em Direito pela URI, campus Santo Ângelo, e advogada — trouxe a perspectiva das mulheres trans no contexto das violências dentro da sociedade. Sua fala se sustentou em aspectos formativos sobre a diferenciação entre sexo, gênero e identidade de gênero, bem como discorreu sobre as violências sofridas pelas mulheres trans e a falta de tutela dentro do Estado, que, por vezes, as considera como seres abjetos.
As pessoas que acompanharam as exposições e participaram dos debates reconheceram e ressaltaram a importância da abordagem dos dois temas sob um enfoque mais profundo e crítico dentro do curso de formação, bem como a relevância de se debater, nos espaços das escolas e do serviço público, o acolhimento de mulheres negras, trans e do público LGBTQIAPN+ — perspectiva que já é anunciada por leis e políticas públicas brasileiras.
O encontro reafirma o compromisso das entidades promotoras — Ministério Público, URI Santo Ângelo e COMDIM — na construção de uma rede de proteção e formação voltada ao enfrentamento da violência contra as mulheres na região missioneira.