
O Programa de Pós-Graduação em Ensino Científico e Tecnológico (PPGEnCT) da URI Santo Ângelo encerrou, nesta sexta-feira, 31 de julho, mais um encontro presencial com seus alunos — um grupo que reflete a multiculturalidade brasileira. Com estudos e pesquisas concentrados na área de Ensino de Ciências, Saúde e Tecnologias, o Programa busca a construção e transformação dos processos de ensino e aprendizagem, contribuindo para a formação qualificada de professores nos diferentes níveis e modalidades de ensino.
A turma de mestrandos é formada por alunos de várias cidades gaúchas, mas também por estudantes dos Estados de Goiás, Mato Grosso e Pará — evidenciando o alcance nacional do programa.
"O PPGEnCT foi concebido para contribuir com o desenvolvimento regional, estadual e nacional, tendo como foco prioritário a educação científica e tecnológica, baseada na relação entre educação, ciência, tecnologia e sociedade", destaca o coordenador do Programa, professor Dr. Antônio Vanderlei dos Santos.
Quem vem de mais longe é a mestranda Francilene Gomes de Souza Miranda. Sua cidade, Itaituba, no Pará, está distante 3.341 km de Santo Ângelo. Professora municipal de uma turma multisseriada de primeiro ao quinto ano no ensino integral, ela enxergou no PPGEnCT a oportunidade ideal para sua prática pedagógica.
"Eu dou aula de iniciação científica, experiências culturais, atividades desportivas, saúde e qualidade de vida. Esse mestrado em Ciência e Tecnologia cai muito bem para as atividades que eu desempenho lá", conta.
Formada em Pedagogia pelo Prouni, Francilene chegou à URI por indicação de uma professora. O contato com o coordenador do Programa — carinhosamente chamado de "Vandão" — deu a segurança necessária para ingressar.
Os preparativos para vir a Santo Ângelo começaram em dezembro do ano passado. A viagem, iniciada em 17 de julho, foi longa e cansativa:
"Saí de Itaituba no dia 17, parei em Rurópolis, dormi lá. Segui para Santarém, onde peguei o voo para Brasília, depois Porto Alegre. Peguei o ônibus e cheguei em Santo Ângelo por volta das 6h da manhã do dia 20. Às 13h30 eu já estava em sala de aula."
Francilene trouxe consigo o filho André Mateus, de 9 anos, pois não tinha com quem deixá-lo. O marido, sargento da Polícia Militar do Pará, veio junto mas precisou retornar devido a uma emergência de trabalho.
A adaptação a uma cultura e costumes diferentes não foi fácil, mas a recepção em Santo Ângelo superou as expectativas: "Fiquei impactada com a tranquilidade da cidade, passa muita segurança. Mas o que mais me marcou foi a recepção das pessoas. Desde a secretária Ângela, até os professores, todos nos acolheram muito bem. Cuidaram do meu filho, me ajudaram. Me falaram que vocês eram receptivos, mas a gente não acredita até provar. Graças a Deus, realmente foi assim."
Ao falar sobre o significado da educação em sua vida, Francilene se emociona. Filha de pais agricultores que nunca estudaram — que não sabem ler nem escrever o próprio nome —, ela é a primeira da família a trilhar o caminho acadêmico.
"Meus pais sempre fizeram o possível para que a gente estudasse. De umas mãos cansadas, de muita labuta, eles conseguiram me manter na escola. Eu tenho irmãos que não terminaram o ensino fundamental. Eles dizem que eu lavei a alma da família."
"Eu tirei uma foto na mesa com notebooks e toda a tecnologia que a gente utiliza aqui. E fiquei pensando: estou vivendo algo incrível que os meus pais não puderam viver nem mesmo com um lápis na mão. Isso me tira lágrimas dos olhos..."
O Programa de Pós-Graduação em Ensino Científico e Tecnológico da URI Santo Ângelo, reafirma seu papel estratégico no cenário educacional, ao atrair estudantes de diferentes regiões do país e promover a troca de saberes entre realidades diversas. Mais do que formar mestres e doutores, o PPGEnCT consolida-se como um polo de inovação pedagógica que impacta diretamente a qualidade do ensino básico e superior, tanto no Rio Grande do Sul quanto em outros estados da Federação