
Se tem um vestiário onde o clima está pesado na noite desta sexta-feira (26), este é o vestiário do Uruguai na Copa do Mundo. Após revelação de bastidores que apontavam descontentamento do grupo de jogadores uruguaios sobre o trabalho de Marcelo Bielsa, a Celeste acabou se despedindo do Mundial de 2026 tal qual se despediu no Catar: eliminação precoce na fase de grupos.
Depois de perder para a Espanha por 1 a 0, em Guadalajara, com direito a um frango de Muslera, que gerou substituição no intervalo, a campeã de 1930 e 1950 acabou amargando a terceira colocação do Grupo H, com dois pontos, ficando atrás da estreante Cabo Verde - que será o próximo rival da Argentina.
Como esperado, a partida começou com a Espanha tendo mais posse de bola e o Uruguai marcando em bloco baixo nos primeiros 10 minutos, esperando contra-ataque.
Aos 19 minutos, um presságio negativo do que estava por vir debaixo da meta uruguaia. Muslera, que se tornaria o personagem da partida no futuro, saiu mal do gol após cruzamento da Roja. Contudo, seus companheiros conseguiram afastar o perigo.
A Celeste, até a pausa para a hidratação, só sabia se defender da pressão espanhola, que insistia com o Lamine Yamal na ponta-esquerda. O craque do Barcelona até teve um lance de maior plasticidade ao limpar o marcador e arriscar de longe, mas chutou em cima da marcação uruguaia.
Aos 26, o primeiro dos três grandes momentos da seleção sul-americana no jogo. Após bola cruzada rasteira, Darwin Nuñez tentou de calcanhar, mas errou. Cinco minutos depois, após uma presença mais ativa no campo de ataque, Maxi Araújo cruzou e desta vez Unai Simon saiu mal. A bola ficou com Canobbio, que finalizou, antes da defesa espanhola aliviar o perigo.
Já aos 35, Bentancur chutou forte de fora da área, mas a bola passou por cima com muito susto aos campeões mundiais de 2010. Era clássica melhora antes da piora.
Isso porque aos 41 minutos, Muslera (lembra da citação anterior?) voltou a protagonizar o filme do primeiro tempo, mas com uma atuação digna de Framboesa de Ouro. Isso porque Lorente cruzou na área e a bola chegou em Baena, que chutou fraquinho, o suficiente para Muslera aceitar o maior frango da Copa 2026 até aqui.
Antes da equipe de Marcelo Bielsa abrir a caixa de ferramentas contra a seleção de Luis de la Fuente, veio à campo Sérgio Rochet. O goleiro do Inter entrou no intervalo de Muslera, que pediu para sair e, mesmo com o jogo sendo retomado, acabou fincando no vestiário.
Mas sobre as faltas excessivas e duras, o Uruguai passou a fazer uma espécie de rodízio nos primeiros 15 minutos da etapa final. Foram três entradas duras. A primeira de Canobbio, em Pedri, aos sete minutos. A segunda, um minuto depois, desta vez com cartão sendo mostrado. Sanabria foi advertido após outra entrada dura da Celeste, desta vez sobre Yamal. Já aos 12, outro amarelado charrua: Varela, após acerta Baena.
Aos 20 o jogo até chegou a ficar aberto, afinal tanto o Uruguai, precisando desesperadamente do gol de empate, quanto a Espanha, querendo ampliar e matar o jogo, subiam ao ataque.
Precisando de gol, o Uruguai ainda não tinha conseguido nenhuma finalização dentro do gol na partida. Foi só falar. Três minutos depois, após boa jogada de Brian Rodriguez, Mathias Oliveira tentou surpreender Unai Simón, que conseguiu fazer boa defesa.
Aos 40, De la Cruz arriscou novamente para os sul-americanos, mas o goleiro espanhol agarrou firme com tranquilidade. No lance seguinte, após tabela, Fernan Torres entrou livre, de frente para Rochet, mas ele mandou no travessão, na melhor chance da Espanha no segundo tempo.
O clima, que já era terrível antes mesmo da bola rolar, ficou melancólico com a confusão no final após expulsão de Canobbio, que fez falta dura em Cubarsí.
A primeira campeã do mundo caiu na primeira fase Copa, mais uma vez, tal qual em 1962, no Chile, em 1974, na Alemanha, em 2002, na Coreia do Sul e Japão, e em 2022, no Catar.