
Entre os novos colecionadores está uma geração que cresceu cercada por outras mídias, mas encontrou no vinil uma forma diferente de se relacionar com a música. É o caso de João Manoel Ferreira, 25 anos, que associa o interesse ao ambiente familiar.
— Cresci em uma casa cheia de CDs e DVDs, minha família sempre ouviu muita música. Gosto de pensar que o gosto veio de berço e, não ironicamente, os discos que coleciono hoje são coisas que ouvia quando era pequeno — comenta.
A lembrança mais antiga do colecionar passa por um nome específico:
— Minha primeira paixão foi o ABBA. Ganhei um DVD quando era criança e ouvia repetidas vezes.
Entre as preferências, a música brasileira ocupa lugar central na coleção do jovem, com nomes consagrados e artistas contemporâneos.
— Tenho alguns discos que são especiais, como Recanto da Gal Costa, e também trabalhos da Maria Bethânia e do Chico Buarque. Gosto de frequentar sebos e feiras, aqui em Passo Fundo tem lugares muito bons, com uma curadoria diversa — afirma.
Se entre os mais jovens o vinil aparece como descoberta, para quem acompanha o formato há anos, ele nunca deixou de existir. É o caso de Rodrigo Rissi, 51 anos, que transita entre o colecionismo e a venda de discos.
Para ele, a relação com os "bolachões" passa também pela curiosidade constante:
— Todo colecionador é um consumidor curioso. O cenário tem se tornado mais dinâmico a cada ano, com a entrada de novos interessados e a retomada de antigos acervos. É efervescente!
Esse movimento se reflete na circulação de discos e na frequência de eventos. Mas Rissi ainda vê espaço para expansão em formatos que conectam música e público.
— Sinto falta de festas temáticas, com discotecagem em vinil. Já participei de várias e é muito bacana — comenta.
Entre colecionadores antigos e novos interessados, o vinil mostra fôlego renovado, agora embalado por diferentes gerações que encontram, cada uma à sua maneira, motivos para manter o disco girando e deixar o streaming de lado.
— É um caminho sem volta. Vai levar teu dinheiro, mas também te faz conhecer gente, trocar conhecimento e ter muita história para contar. Vale muito a pena — resume Rissi.

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Encontros e feiras têm reunido diferentes gerações e ampliado o acesso ao formato. Franscisco Almeida / Arquivo pessoal