
Conforme um artigo/ notícia, assinados Por Luiz Fernando Nachtigal e Estael Sias, meteorologistas, com produção de Alexandre Aguiar e arte de Leandro Maciel, “Que haverá um El Niño que chegará mais cedo que o habitual, nos próximos meses, é uma quase certeza, mas a dúvida ainda é sobre a sua intensidade. São crescentes os sinais de que pode ser um evento forte a muito intenso, de maior potência que o de 2023-2024, e comparável aos episódios de 1982-1983 e 1997-1998.”
“São estas projeções que fizeram ingressar no noticiário a expressão “Super El Niño”, uma possibilidade que começa a ganhar força entre meteorologistas e climatologistas, acendendo um alerta global sobre os impactos que esse fenômeno pode provocar no clima do planeta até o ano que vem.”
O mesmo informativo acima relatado traz o seguinte alerta:
Se mesmo sem El Niño, com La Niña ou neutralidade no Pacífico, o Rio Grande do Sul enfrenta enchentes, o risco de cheias de rios e inundações aumenta consideravelmente sob El Niño. Assim, no entendimento da MetSul Meteorologia, a questão não é se haverá enchentes, mas quantas e qual será a magnitude, o que somente se prevê em curto prazo.
Historicamente, sob El Niño, o período mais crítico para enchentes se concentra no segundo semestre do ano de instalação do fenômeno e no primeiro do ano seguinte, ou seja, o risco será maior na segunda metade de 2026 e na primeira de 2027, sobretudo na primavera de 2026 e no outono de 2027.
Foi o que ocorreu em 2023, último episódio de El Niño. A primeira enchente se deu com um ciclone extratropical na costa do Litoral Norte, em junho, logo no começo do El Niño, o que provocou 16 mortes e um desastre no município de Caraá. As piores cheias, entretanto, aconteceram em setembro e novembro. A cheia do rio Taquari de setembro foi uma das maiores da história e deixou mais de 50 mortos no vale. A de novembro foi muito grande e ainda maior em Porto Alegre. O Guaíba, que não excedia a cota de transbordamento de 3,00 metros desde setembro de 1967, rompeu a marca duas vezes em 50 dias na primavera de 2023.
Na sequência, o grande desastre do fim de abril e maio de 2024, com cheias recordes de rios como Sinos, Caí, Taquari, Jacuí e ainda o Guaíba, em cenário que não se testemunhava desde maio de 1941, com destruição e mais de 200 mortos, incluindo as vítimas por leptospirose que não foram incluídas no balanço oficial da Defesa Civil.
A informação no artigo traz ainda o importante tópico:
Esta é a resposta que não temos e ninguém pode ter no Brasil ou no mundo, mesmo com todos os recursos avançados de previsão existentes. Isso porque é possível se prever meses antes uma condição favorável à chuva muito acima do normal com risco agravado de enchentes, mas os episódios de chuva extrema que causarão as enchentes apenas são previsíveis dias antes.
O importante é ter em mente que não é porque o fenômeno El Niño vai voltar, e talvez até mais forte que em 2023-2024, que a catástrofe de 2024 se repetirá. A relação não é linear e automática.
Eventos de El Niño muito fortes na história recente, como 1982-1983, 1997-1998 e 2015-16, foram responsáveis por grandes enchentes no Sul do Brasil, mas nada comparado ao que se viu em 2024. Além disso, como cada El Niño tem sua história e é diferente dos outros, no passado os eventos muito fortes tiveram os piores impactos de forma distinta.
Em 1982-1983, Santa Catarina sofreu mais com a chuva do El Niño. Em 1997-1998, particularmente o Oeste do Rio Grande do Sul foi mais afetado. Em 2023-2024, o Rio Grande do Sul quase todo foi duramente atingido.
Correio do Povo.