
Enquanto parte dos vereadores ocupa a tribuna para tratar de agendas sociais e eventos de fim de semana, outro grupo demonstra crescente preocupação com o cenário enfrentado pelo município de Santo Ângelo — especialmente na área da educação.
O tema dominou a sessão legislativa de segunda-feira (13), quando ao menos três parlamentares trouxeram à pauta a situação do magistério municipal e a necessidade de respostas imediatas por parte do Executivo.
Da tribuna, a vereadora Rosani Stocker, também ligada ao sindicato dos professores do município, afirmou que o quadro atual representa um “desmonte sem precedentes” nos últimos anos. Entre as críticas, destacou a falta de profissionais especializados para atender alunos autistas, que estariam sendo incluídos em turmas com cerca de 22 estudantes sem o suporte necessário. Outro ponto levantado foi o que classificou como gastos elevados com diárias na Secretaria de Educação.
Já o vereador Márcio Antunes (MDB), integrante de partido aliado à administração municipal, adotou tom crítico ao lembrar promessas feitas durante o período eleitoral. Segundo ele, as expectativas criadas não se confirmaram na prática e a educação precisa ser revista com urgência.
O presidente do Poder Legislativo, Osvaldir Ribeiro de Souza (Vando), anunciou o encaminhamento de um pedido para realização, em caráter emergencial, de uma audiência pública. A proposta prevê a participação da Secretaria de Educação, representantes dos professores e vereadores. Entre as preocupações citadas está a falta de transporte escolar, que estaria impedindo alunos de frequentar as aulas. “Não é admissível que estudantes fiquem fora da sala por esse motivo”, afirmou.
Professores relatam esgotamento
Paralelamente às manifestações no Legislativo, professores intensificam a mobilização e relatam um cenário de sobrecarga e precariedade nas escolas. Em comunicado que circula entre profissionais da rede, a categoria afirma estar “cansada do descaso” e cobra soluções imediatas.
Entre as principais reivindicações estão: falta de materiais pedagógicos e de higiene, déficit de professores e monitores, salas superlotadas, ausência de hora-atividade, reajuste salarial, além de denúncias de excesso de servidores na secretaria e escassez de profissionais nas escolas.
Os relatos também apontam situações em que diretores precisam assumir turmas e profissionais arcam com custos de manutenção básica das escolas, como corte de grama e pequenos reparos. Problemas de infraestrutura, incluindo falta de internet e falhas na rede elétrica, também foram mencionados.
A expectativa agora recai sobre a possível audiência pública, que poderá colocar frente a frente Executivo, Legislativo e profissionais da educação em busca de respostas para uma crise que, segundo os envolvidos, já impacta diretamente o cotidiano escolar.
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