
A segunda metade de fevereiro se apresenta e o calendário passa por uma pausa estratégica antes que o primeiro semestre ganhe ritmo pleno. Para uma parte dos trabalhadores, o Carnaval se une às férias que começaram no final de janeiro. E para outra, esta é a última folga antes da retomada definitiva das demandas profissionais. No meio desse fluxo, a festa popular tradicional no país assume um papel além da celebração cultural. Transformou-se em vetor de circulação de renda, consumo e turismo. Ao contrário de eventos isolados, o Carnaval é, de acordo com avaliação do governo federal, “um movimento econômico nacional”. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que a folia deve gerar cerca de R$ 14,48 bilhões em receitas no setor de turismo no Brasil em 2026, cifra que supera o resultado de 2025. E ainda, dados da Federação do Comércio de São Paulo indicam que o Carnaval deverá girar R$ 18,6 bilhões no país somente em fevereiro, lembrando que o consumo em torno da data se dá em outros meses do ano em razão de preparativos. No Rio Grande do Sul, projeções feitas pela Secretaria Estadual de Turismo revelam que o turismo ligado ao Carnaval poderia superar R$ 2 bilhões em faturamento no Estado, um avanço em relação a ciclos anteriores e refletindo a expansão de eventos públicos e privados. Os segmentos de alimentação, transporte e hospedagem concentram boa parte da movimentação.
A intensificação da circulação de pessoas e a alta demanda por serviços têm efeito direto no consumo. Pesquisas locais feitas com base no IPCA, a inflação oficial, mostram que preços de itens associados ao Carnaval, em recorte que inclui transporte, alimentação fora de casa e serviços típicos do período, seguem acima do indicador, hoje em 4,44% no acumulado. Segundo o economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, os resultados guardam estreita relação com o dinamismo do setor de serviços.
“A inflação do Carnaval é influenciada pelo setor terciário. Transporte, turismo e alimentação fora do domicílio respondem por uma parcela significativa da cesta. Em um contexto de aquecimento do emprego e estímulos à demanda, é natural que o indicador apresente esse tipo de dinâmica”, afirma.
Conforme Frank, o consumidor precisa ter clareza quanto ao orçamento para que não comprometa o equilíbrio financeiro. “É preciso pesquisar valores com antecedência e barganhar sempre que possível”, orienta.
O impacto nacional da folia calculado em mais de R$ 14 bilhões pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo é o maior valor da série histórica da pesquisa da entidade. O montante representa alta de 3,8% ante 2025.
RS ganha reforço no turismo
O efeito multiplicador do Carnaval, assim como alcança transporte, entretenimento e comércio, chega também a aqueles que aproveitam as viagens e os passeios neste período. Com isso, a hospedagem amplia divisas no Rio Grande do Sul, já que o Estado recebe turistas de outros lugares. Visitantes que se deslocam para o RS durante o Carnaval vêm principalmente deSão Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, o que reforça a presença de turistas da região Sudeste do país. A informação é da Secretaria Estadual de Turismo.
O interesse pelo Sul estaria relacionado com a busca por experiências diferentes em relação aos destinos carnavalescos mais conhecidos do centro do país. O levantamento também indica que o perfil predominante entre os visitantes que chegam ao Estado neste período é composto por casais, famílias ou grupos de até quatro pessoas. O perfil sugere ainda uma busca por experiências de lazer mais tranquilas e de qualidade, relacionadas com o descanso e também com os interesses pelo turismo cultural, gastronômico e de natureza.
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