
Moradores das localidades da Barra do São João e Atafona, no interior de Santo Ângelo, voltaram a denunciar o abandono das estradas vicinais e a falta de manutenção por parte do poder público municipal. Segundo relatos, a precariedade das vias tem provocado prejuízos frequentes, principalmente a produtores rurais que dependem das estradas para o escoamento da produção agrícola e para o deslocamento diário até a cidade.
De acordo com os moradores, a situação se arrasta há meses sem qualquer ação efetiva da administração municipal. Buracos profundos, pedras soltas e trechos praticamente intransitáveis fazem parte da rotina de quem vive nessas regiões. Em diversos casos, o problema já resultou em danos mecânicos a veículos, como estouro de pneus, quebra de suspensão e avarias estruturais.
Um dos residentes da localidade relatou a indignação de quem convive diariamente com o problema. “Quero fazer uma reclamação sobre o abandono das estradas do interior de Santo Ângelo, especialmente Barra do São João e Atafona. Simplesmente o prefeito esqueceu do pessoal do interior. Hoje sou mais um que furou um pneu por causa de uma pedra. Poderia ter sido algo pior, mas graças a Deus foi só o pneu. Queria que o prefeito viesse ver de perto a situação, mas aqui não tem tartaruga para fotinho”, desabafou o morador, em crítica direta às ações da gestão.
Além dos prejuízos materiais, os moradores apontam riscos à segurança. Em períodos de chuva, trechos se tornam escorregadios, lamaçais se formam e o acesso de ambulâncias, transporte escolar e caminhões de abastecimento fica severamente comprometido.
A situação ganha contornos ainda mais graves diante do argumento da própria administração municipal, que desde o início do mandato tem alegado restrições financeiras. Segundo o discurso oficial, as dificuldades orçamentárias têm limitado a execução de obras de manutenção, especialmente no interior do município. Entretanto, a população questiona a falta de planejamento e de priorização de recursos.
Para os moradores, a promessa de que melhorias ficariam “para o próximo ano” já se tornou recorrente. Às vésperas do encerramento de 2025, a expectativa de ver máquinas trabalhando nas estradas do interior é mínima. “Estamos abandonados. Quando precisam de voto, lembram do interior, mas agora não aparece ninguém”, relatou outro agricultor.
Enquanto isso, comunidades inteiras seguem enfrentando prejuízos financeiros, desgaste emocional e sensação de invisibilidade perante o poder público. A realidade nas estradas de Santo Ângelo, especialmente na Barra do São João e Atafona, expõe uma ferida aberta na atual administração e reforça o distanciamento entre o governo municipal e o interior.
A reportagem abre espaço para manifestação da Prefeitura de Santo Ângelo.
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