
Durante cerimônia no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, o presidente e o vice-presidente eleitos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), foram diplomados em reconhecimento ao resultado das urnas. No começo do discurso, Lula se emocionou e chorou ao relembrar de suas primeiras posses, agradecendo ao povo por "confiar em alguém sem diploma universitário".
Na sequência, o presidente eleito exaltou a escolha da população brasileira, afirmando que o resultado das eleições é uma "celebração da democracia" e criticando os movimentos que tentam descredibilizar o processo eleitoral.
— Eu sei o quanto custou a mim e ao povo brasileiro para reconquistar a democracia no país. Quero dizer que, muito mais do que a cerimônia de diplomação de um presidente eleito, essa é a celebração da democracia. Poucas vezes na história ela esteve tão ameaçada. A democracia não nasce por geração espontânea. Ela precisa ser semeada e cultivada, para que a colheita seja generosa. É necessário defendê-la todos os dias daqueles que tentam a todo custo usa-la para interesses próprios — disse.
Lula declarou que, nestas eleições, o povo brasileiro escolheu "o amor e não o ódio", e destacou o trabalho do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, enfrentaram todo tipo de ofensas, ameaças e agressões, para fazer valer a soberania do voto popular.
— Essa foi a disputa entre duas visões de mundo e de governo. De um lado, um projeto de reconstrução, e do outro, um projeto de destruição. Não foram poucas as tentativas de sufocar a voz do povo e a democracia — completou.
O presidente eleito também ressaltou a coligação chamada de "Frente Ampla", composta por 12 partidos no primeiro turno e 14 no segundo, que apoiou a chapa petista durante a eleição presidencial.
— A democracia venceu. O resultado dessas eleições não foi apenas a vitória de um partido, e sim, a vitória de uma verdadeira frente ampla contra o autoritarismo — pontuou.
O prazo final para a diplomação era 19 de dezembro, mas, a pedido da equipe de Lula, o TSE adiantou o evento para uma semana antes. Para receber o diploma, os eleitos precisam estar com o registro de candidatura aprovado e as contas de campanha julgadas.
A diplomação marca o fim do processo eleitoral e habilita Lula e Alckmin para tomarem posse no dia 1º de janeiro de 2023. De acordo com o Tribunal, aproximadamente mil pessoas foram convidadas para acompanhar a solenidade, ministrada pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes.
Moraes destacou a ação da instituição durante a campanha eleitoral, relembrando os ataques que vêm sofrendo por manifestantes bolsonaristas que pedem a anulação do pleito.
— A diplomação da chapa presidencial eleita consiste no reconhecimento da lisura do pleito eleitoral. A Justiça Eleitoral se preparou para garantir com coragem e segurança a transparência das eleições. Combatemos com eficácia e celeridade os ataques ao Estado Democrático de Direito — falou.
Estiveram presentes na mesa os demais ministros do TSE, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, os ministros do TSE, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o presidente da Ordem das Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti.