
O vice-presidente da República e senador eleito pelo Rio Grande do Sul, Hamilton Mourão, afirmou na quarta-feira (23) que o atual mandatário, Jair Bolsonaro, deveria entregar a faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi dada em Lisboa durante visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Na mesma ocasião, Mourão classificou as manifestações contra o resultado das eleições que acontecem pelo Brasil como uma “catarse coletiva” e fez críticas à atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na condução do pleito.
“Na minha visão, o presidente deveria passar a faixa porque é uma questão de presidente para presidente. Independente do processo, independente de gostar ou não da pessoa, é uma questão institucional”, afirmou o general à Agência Lusa.
Mourão desembarcou na segunda-feira (21) em Portugal, onde tem compromissos oficiais no país europeu até esta quinta (24). “Eu não sou o presidente. Se, por acaso, o presidente renunciasse ao cargo e eu me tornasse presidente, eu teria essa responsabilidade [entregar a faixa presidencial ao presidente eleito]. Mas eu não tenho essa responsabilidade. Então, eu não posso, se por acaso o presidente Bolsonaro não for, vestir aquela faixa, retirá-la e entregá-la ao presidente Lula, que é o eleito”, acrescentou Mourão.
Manifestações
“Essas pessoas não estão na rua de forma desordeira, estão em um processo de, vamos dizer assim, em uma catarse coletiva, eu posso colocar dessa forma, no sentido de aceitar algo que elas consideram que não foi correto. E o tempo é o senhor da razão”, afirmou o vice-presidente sobre os protestos que ocorrem no Brasil.
“Em primeiro lugar, as manifestações não são golpistas. Isso foi uma coisa que vocês da imprensa estão colocando. Isso é uma manifestação de gente no Brasil, é uma questão interna nossa, que não se conformou com o processo, que considera que o processo é viciado”, prosseguiu o general.
Em seguida, Mourão fez críticas ao TSE: “O que eu considero, muito claramente, é que o árbitro desse jogo, o Tribunal Eleitoral, ele foi parcial ao longo desse jogo. Isso é que eu considero”.
“Eu, da minha parte, vejo que nós precisamos ter que dar mais transparência nesse processo. Não basta, pura e simplesmente, respostas lacônicas do nosso Tribunal Superior Eleitoral, no sentido de contestar eventuais, vamos dizer assim, denúncias ou argumentações sobre o processo e nós teremos que evoluir nisso aí”, finalizou.
Agência Brasil